terça-feira, 11 de junho de 2013

DEPOIMENTOS DE LEITURA E ESCRITA

 DEISE APARECIDA THEODORO
No meu aniversário de sete anos, ganhei um livro e um estojo de madeira também no formato de livro, era marchetaria lá de Campos de Jordão. Minha mãe foi quem me apresentou o alfabeto, mas o que ela mais gostava de ensinar mesmo, eram os números. Vocês não imaginam o meu desespero de aprender a ler, contemplava as pessoas que estavam lendo e pedia para que lessem alto, era como estar faminta diante de uma máquina de churrasco grego ou aquelas máquinas de assar frango, eu ficava imaginando como é essa magia de juntar letras, formar palavras e escrever uma história.

Que alegria, aprendi a ler!


Um belo dia, vendedores visitaram nosso bairro e deixaram uma coleção de fábulas e outra de assuntos gerais em minha casa para apreciação, o combinado era depois de uma semana retornarem para concretizar a venda. Devido às condições financeiras da época, sabia que meus pais não poderiam ficar com a coleção então, li todos os livros e pulava de alegria ao chegar da escola e minha mãe dizer: os vendedores ainda não vieram. Bem, a oportunidade era única, deu tempo de ler tudo, mas chorei, quando retiraram os livros. Meu pai sempre que podia, trazia a Revista Recreio ou o Gibi da Mônica e na escola, tínhamos      um caderno de Composição que todas as sextas feiras levávamos para casa com a incrível missão de ser, escritores por um dia. Certa vez, a atividade foi durante a aula e então para que minha mãe pudesse pelo menos ouvir o que escrevi, calquei a caneta e quando cheguei fui logo pegando o caderno e lendo, ela gostou muito, mas ficou mais admirada quando olhou o caderno e não tinha nada escrito, rimos muito, ela me abraçou, agradeceu e disse, estou sem palavras. Ter alguém que valorize, que tenha tempo para interagir com as produções dos alunos, faz toda a diferença!

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