DEISE APARECIDA THEODORO
No meu aniversário de sete anos, ganhei um livro e um estojo de madeira
também no formato de livro, era marchetaria lá de Campos de Jordão. Minha mãe
foi quem me apresentou o alfabeto, mas o que ela mais gostava de ensinar mesmo,
eram os números. Vocês não imaginam o meu desespero de aprender a ler,
contemplava as pessoas que estavam lendo e pedia para que lessem alto, era como
estar faminta diante de uma máquina de churrasco grego ou aquelas máquinas de
assar frango, eu ficava imaginando como é essa magia de juntar letras, formar
palavras e escrever uma história.
Que alegria, aprendi a ler!
Um belo dia, vendedores visitaram nosso bairro e deixaram uma coleção de
fábulas e outra de assuntos gerais em minha casa para apreciação, o combinado
era depois de uma semana retornarem para concretizar a venda. Devido às
condições financeiras da época, sabia que meus pais não poderiam ficar com a
coleção então, li todos os livros e pulava de alegria ao chegar da escola e
minha mãe dizer: os vendedores ainda não vieram. Bem, a oportunidade era única,
deu tempo de ler tudo, mas chorei, quando retiraram os livros. Meu pai sempre
que podia, trazia a Revista Recreio ou o Gibi da Mônica e na escola, tínhamos um caderno de Composição que todas as
sextas feiras levávamos para casa com a incrível missão de ser, escritores por
um dia. Certa vez, a atividade foi durante a aula e então para que minha mãe
pudesse pelo menos ouvir o que escrevi, calquei a caneta e quando cheguei fui
logo pegando o caderno e lendo, ela gostou muito, mas ficou mais admirada
quando olhou o caderno e não tinha nada escrito, rimos muito, ela me abraçou,
agradeceu e disse, estou sem palavras. Ter alguém que valorize, que tenha tempo
para interagir com as produções dos alunos, faz toda a diferença!
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